Império Romano
- Imperio romano foi de 27 a.C a 395 d.C

Resumo
O Império Romano (em latim: Imperium Romanum) foi o período pós-republicano da antiga civilização romana, caracterizado por uma forma de governo autocrática liderada por um imperador e por extensas possessões territoriais em volta do mar Mediterrâneo na Europa, África e Ásia. A república que o antecedeu ao longo de cinco séculos encontrava-se numa situação de elevada instabilidade, na sequência de diversas guerras civis e conflitos políticos, durante os quais Júlio César foi nomeado ditador perpétuo e foi assassinado em 44 a.C. As guerras civis culminaram na vitória de Otávio, filho adotivo de César, sobre Marco António e Cleópatra na batalha de Áccio em 31 a.C. Detentor de uma autoridade inquestionável, em 27 a.C. o senado romano atribuiu a Otávio poderes absolutos e o novo título Augusto, assinalando desta forma o fim da república.
O período imperial prolongou-se por cerca de 500 anos. Os primeiros dois séculos foram marcados por um período de prosperidade e estabilidade política sem precedentes denominado Pax Romana. Na sequência da vitória de Augusto e da posterior anexação do Egito, a dimensão do império aumentou consideravelmente. Após o assassinato de Calígula em 41 d.C., o senado considerou restaurar a república, o que levou a guarda pretoriana a proclamar Cláudio imperador. Durante este período, assistiu-se ao maior alargamento do império desde a época de Augusto. Após o suicídio de Nero em 68, teve início um breve período de guerra civil, durante o qual foram proclamados imperadores quatro generais. Em 69, Vespasiano triunfou sobre os restantes, estabelecendo a dinastia flaviana. O seu filho, Tito, inaugurou o Coliseu de Roma, pouco após a erupção do Vesúvio. Após o assassinato de Domiciano, o senado nomeou o primeiro dos cinco bons imperadores, período durante o qual o império atingiu o seu apogeu territorial no reinado de Trajano.
O assassinato de Cómodo em 192 desencadeou um período de conflito e declínio denominado ano dos cinco imperadores, do qual Septímio Severo saiu triunfante. O assassinato de Alexandre Severo, em 235, levou à crise do terceiro século, durante a qual o senado proclamou 26 imperadores ao longo de cinquenta anos. A imposição de uma Tetrarquia proporcionou um breve período de estabilidade, embora no final tenha desencadeado uma guerra civil que só terminou com o triunfo de Constantino em relação aos rivais. Agora único governante do império, Constantino mudou a capital para Bizâncio, rebatizada Constantinopla em sua honra, a qual permaneceu capital do oriente até 1453. Constantino também adotou o cristianismo, que mais tarde se tornaria a religião oficial do império. A seguir à morte de Teodósio, o domínio imperial entrou em declínio como consequência de abusos de poder, guerras civis, migrações e invasões bárbaras, reformas militares e depressão económica. A deposição de Rómulo Augusto por Odoacro é o evento geralmente aceite para assinalar o fim do império ocidental. No entanto, o Império Romano do Oriente prolongou-se por mais um milénio, tendo sido conquistado pelo Império Otomano em 1453.
O Império Romano foi uma das mais fortes potências económicas, políticas e militares do seu tempo. Foi o maior império da antiguidade Clássica e um dos maiores da História. No apogeu da sua extensão territorial exercia autoridade sobre mais de cinco milhões de quilómetros quadrados e uma população de mais de 70 milhões de pessoas, à época 21% da população mundial. A longevidade e extensão do império proporcionaram uma vasta influência na língua, cultura, religião, técnicas, arquitetura, filosofia, lei e formas de governo dos estados que lhe sucederam. Ao longo da Idade Média, foram feitas diversas tentativas de estabelecer sucessores do Império Romano, entre as quais o Império Latino e o Sacro Império Romano-Germânico. A expansão colonial europeia, entre os séculos XV e XX, difundiu a cultura romana a uma escala mundial, desempenhando um papel significativo na construção do mundo contemporâneo.
Imperadores
| Imperador | Início | Fim |
|---|---|---|
| Otávio Augusto | 27 a.C. | 14 d.C. |
| Tibério | 14 | 37 |
| Calígula | 37 | 41 |
| Cláudio | 41 | 54 |
| Nero | 54 | 68 |
| Galba | 68 | 69 |
| Otão | 69 | 69 |
| Vitélio | 69 | 69 |
| Vespasiano | 69 | 79 |
| Tito | 79 | 81 |
| Domiciano | 81 | 96 |
| Nerva | 96 | 98 |
| Trajano | 98 | 117 |
| Adriano | 117 | 138 |
| Antonino Pio | 138 | 161 |
| Marco Aurélio | 161 | 180 |
| Cômodo | 180 | 192 |
| Pertinax | 193 | 193 |
| Dídio Juliano | 193 | 193 |
| Septímio Severo | 193 | 211 |
| Caracala | 211 | 217 |
| Macrino | 217 | 218 |
| Heliogábalo | 218 | 222 |
| Alexandre Severo | 222 | 235 |
| Maximino Trácio | 235 | 238 |
| Gordiano I e II | 238 | 238 |
| Pupieno e Balbino | 238 | 238 |
| Gordiano III | 238 | 244 |
| Filipe, o Árabe | 244 | 249 |
| Décio | 249 | 251 |
| Treboniano Galo | 251 | 253 |
| Emiliano | 253 | 253 |
| Valeriano | 253 | 260 |
| Galieno | 260 | 268 |
| Cláudio II Gótico | 268 | 270 |
| Quintilo | 270 | 270 |
| Aureliano | 270 | 275 |
| Tácito | 275 | 276 |
| Floriano | 276 | 276 |
| Probo | 276 | 282 |
| Caro | 282 | 283 |
| Carino | 283 | 285 |
| Numeriano | 283 | 284 |
| Diocleciano | 284 | 305 |
| Maximiano | 286 | 305 |
| Constâncio Cloro | 305 | 306 |
| Galério | 305 | 311 |
| Severo II | 306 | 307 |
| Maxêncio | 306 | 312 |
| Licínio | 308 | 324 |
| Constantino I | 306 | 337 |
| Constantino II | 337 | 340 |
| Constante | 337 | 350 |
| Constâncio II | 337 | 361 |
| Juliano | 361 | 363 |
| Joviano | 363 | 364 |
| Valentiniano I | 364 | 375 |
| Valente | 364 | 378 |
| Graciano | 375 | 383 |
| Valentiniano II | 375 | 392 |
| Teodósio I | 379 | 395 |
| Arcádio [Oriente] | 395 | 408 |
| Honório [Ocidente] | 395 | 423 |
| Teodósio II [Oriente] | 408 | 450 |
| Valentiniano III [Ocidente] | 425 | 455 |
| Marciano [Oriente] | 450 | 457 |
| Petrônio Máximo [Ocidente] | 455 | 455 |
| Avito [Ocidente] | 455 | 456 |
| Majoriano [Ocidente] | 457 | 461 |
| Líbio Severo [Ocidente] | 461 | 465 |
| Antêmio [Ocidente] | 467 | 472 |
| Olíbrio [Ocidente] | 472 | 472 |
| Glicério [Ocidente] | 473 | 474 |
| Júlio Nepos [Ocidente] | 474 | 475 |
| Rômulo Augústulo [Ocidente] | 475 | 476 |
Augusto
Augusto (Roma, 23 de setembro de 63 a.C. – Nuvlana, 19 de agosto de 14) foi o fundador do Império Romano e seu primeiro imperador, governando de 27 a.C. até sua morte em 14 d.C. Nascido Caio Otávio, pertenceu a um rico e antigo ramo equestre da família plebeia dos Otávios. Depois do assassinato de seu tio-avô Júlio César em 44 a.C., o testamento de César nomeou Otávio como seu filho adotivo e herdeiro. Junto com Marco Antônio e Lépido, formou o Segundo Triunvirato e derrotou os assassinos de César. Após a vitória na Batalha de Filipos, os três dividiram a República Romana entre si, passando a governar como ditadores militares. O triunvirato foi posteriormente posto de lado sob as ambições conflitantes de seus membros: Lépido foi exilado e despojado de sua posição e Marco Antônio cometeu suicídio após sua derrota na Batalha de Áccio em 31 a.C..
Após o fim do Segundo Triunvirato, Augusto restaurou a fachada externa de república livre, com o poder governamental investido no senado romano, os magistrados executivos e as assembleias legislativas. Porém, na realidade, manteve seu poder autocrático sobre a República como um ditador militar. Por lei, reteve um conjunto de poderes atribuídos vitaliciamente pelo senado, incluindo o comando militar supremo e aqueles de tribuno e censor. Criou o primeiro programa de previdência pública do mundo, assegurando a lealdade do exército, tornando-se algo que nenhum romano havia sido antes: o comandante em chefe de todas as Forças Armadas. Rejeitou os títulos monárquicos e em vez disso denominou-se “Primeiro Cidadão do Estado” (Princeps Civitatis). O quadro constitucional resultante tornou-se conhecido como o Principado, a primeira fase do Império Romano.
O reinado de Augusto iniciou uma era de relativa paz conhecida como Pax Romana (“Paz Romana”). Apesar de contínuas guerras de expansão nas fronteiras imperiais e uma guerra civil de um ano devido à sucessão imperial, o mundo romano esteve praticamente livre de conflitos em larga escala por mais de dois séculos. Ele dramaticamente aumentou o império, anexando Egito, Dalmácia, Panônia, Nórica e Récia, expandindo as possessões da África e Germânia e completando a conquista da Hispânia. Além das fronteiras, protegeu o Império com uma região tampão composta por Estados clientes e fez paz com o Império Parta por vias diplomáticas. Reformou o sistema romano de tributação, desenvolveu redes de estradas com um sistema de correio oficial, estabeleceu um exército permanente e a guarda pretoriana, criou serviços oficiais de policiais e bombeiros para Roma e reconstruiu grande parte da cidade durante seu reinado.
Augusto morreu em 14 d.C., com 75 anos. Pode ter morrido de causas naturais, embora tenha havido rumores não confirmados de que sua esposa Lívia Drusa o teria envenenado. Foi sucedido como imperador por seu filho adotivo Tibério (também enteado e, anteriormente, cunhado). Com 41 anos, foi o soberano com maior tempo de mandato em Roma.